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Saturday, January 10, 2009

O bloco de papel e a caneta, um relato pessoal

Imagina uma cena. Você está conversando com alguém até que surge um "anota aí". O que você faz ?

Eu pego um bloco de papel (com arame) de 40 folhas e com o tamanho de 70 x 100 mm e uma caneta que estão no bolso (da calça ou camisa). Não tem erro. Em menos de 10 segundos eu estou com esses dois prontos para serem executados.

Agora, e se você tiver uma idéia brilhante quando já está deitado ?

Eu pego o mesmo bloco de papel e a mesma caneta que estão do lado da minha cama, ascendo a luminária que está no mesmo lugar, e escrevo, de forma rápida e resumida, qual foi a idéia brilhante. Seja ela um texto, uma palavra chave, uma coisa que eu preciso comprar no dia seguinte ou um desenho/esquema de como resolver o problema.

Não existe nada mais natural do que utilizar papel e caneta (ok, lápis/lapiseira também serve).
Claro que a tecnologia continua me sendo útil, assim como outros utensílios não eletrônicos. Comento como o bloco de papel e a caneta adiantam a minha vida e se integram a vida tecnológica conforme eu apresentar os erros que eu já cometi ao tentar resolver esse problema de ter que ter alguma coisa versátil para anotações em geral. Vejamos, eu já tentei:

Utilizar agenda de papel ou caderno de anotações gerais de "grandes" dimensões (maior que 80 x 100 mm ou desse tamanho, mas com mais de 200 folhas). Útil, sem dúvida alguma, mas se eu não estiver com ela em mãos não adianta nada. Nunca vi uma agenda satisfatória caber confortavelmente no bolso de uma calça/camisa junto com uma caneta. Hoje eu uso o bloquinho e anoto o que tenho que anotar. Quando chego no primeiro computador com acesso a internet que eu encontro eu passo a informação para o Google Calendar, Google Notebook ou para o Tasks do Gmail dependendo do tipo de informação que eu anotei. Se necessário, antes de sair da casa ou no dia anterior, eu faço o processo inverso. Bloco de papel maiores do que 80 x 100 mm não entram no bolso direito. Se ele for muito espesso, também não dá certo.Incomoda no bolso da calça e fica pesado para o bolso da camisa.

Utilizar um caderno de número de telefones. Quase o mesmo para a agenda. A diferença aqui é que existem várias cadernos de telefones que são verdadeiramente pequenos. Cabem facilmente no bolso junto com uma caneta. O problema é que ele só serve para isso. Você continua precisando de um outro lugar para anotar alguma coisa. O outro ponto é que eu também ando com o celular. Oras, para que ter 3 soluções para o mesmo problema ? O caderno de telefones tornou-se obsoleto (pelo menos enquanto está no bolso). No dia-a-dia eu uso o mesmo bloco de papel para anotar o telefone e transcrevo ele para o celular, para uma agenda de papel que mantenho em casa e para uma planilha no Google Docs. Quando planejado, faço o processo inverso. No imprevisto, usualmente o celular está por perto. Imprevistos são facilmente cobertos por ele.

Usar o celular para fazer anotações. Não deu certo. Eu não posso desenhar no meu celular. Sem contar que escrever nele (no meu, pelo menos) é muito pouco natural. Além disso, eu não posso passar o telefone para outra pessoa fazer uma anotação rápida do "jeito dele" no meu celular. Se essa pessoa não souber o que fazer com ele, não servirá de nada.

Não usar coisa alguma. Não deu certo. Longe disso, deu MUITO errado. Eu me esquecia de tudo. Conversávamos em um lugar e depois, cadê que eu lembrava "de fazer aquela coisa" ou do "que era que estávamos falando" !?! Também faltava um lugar para anotar aquilo que eu lembrava quando estava no ônibus ou no meio do caminho ou quando eu passo em frente ao cinema e vejo um horário ideal para mim, etc. Também tinha o fato de que toda vez que ia dormir, eu me lembrava de milhares de coisas. Até que um dia, eu resolvi escrever tudo que eu estava pensando em uma folha de papel. Deram 40 itens. Digo: Quarenta. Só para não ter confusão.

Foi desse dia em diante que eu passei a usar um bloco de papel e uma caneta onde quer que vá.

Um bloco de papel de 30 centavos e uma caneta grátis que eu ganhei mudou a minha vida. Foi um salto de qualidade e confiança extraordinário. Realmente surpreendente. Diminuiram minhas preocupações, porque afinal, eu sei que está anotado, mesmo que eu não me lembre o que é. Passei a não esquecer de coisas simples. E como conseqüência, eu não tenho mais tantas coisas na cabeça ao ir dormir (que é o melhor do GTD). Note que eu tive várias tentativas frustadas, que incluíram cadernos que não cabiam no bolso e tentativas de utilizar tecnologia básica, via internet e celular. Cheguei a pensar em usar um palm, mas vi tantas pessoas frustradas com isso que eu não arrisquei (hoje, tenho certeza de que fiz a coisa certa)

Nos dias de hoje, a maior parte das pessoas tende a mudar tudo que possuí para o digital/eletrônico. Não sou contra essa tendência, mas há mudanças e mudanças. Há mudanças que são meros hits. Tendências estabelecidas como perfeitas e que se propagam como pragas. Essas mudanças forçam o indivíduo a fazer tudo de um jeito que em seria prático e natural, mas que na verdade são exatamente o oposto. Especialmente quanto a ser ou não ser uma ação natural. E isso é a diferença entre dar certo ou não. E há mudanças que são verdadeiramente naturais. Elas entram no hábito do indivíduo e fluí naturalmente no sentido de realizar aquela ação da mesma forma que realizamos tarefas cotidianas. Essas devem ser estimuladas.

O problema (na minha simplória opinião) da tecnologia como substituto do bloco de papel é que o que é bom é caro e o que é barato não é bom. No dia que houver um dispositivo eletrônico, leve, com dimensões de 70 x 100 x 5 mm, que me permita escrever nele da mesma forma que eu escreveria em uma folha de papel e que seja barato (em outras palavras, da ordem de 30 reais). Eu o utilizarei. E eu realmente acredito que um dia teremos um equipamento assim.

A partir do momento que eu não tenho confiança na segurança pública do Rio, eu jamais utilizaria um dispositivo eletrônico de 1000 reais na rua. Para dizer a verdade eu jamais utilizaria ele fora da minha casa, o medo de perder, quebrar, ser roubado, etc e ter um grande prejuízo seria muito maior do que praticidade de ter um desses equipamentos E olha que o equipamento que eu idealizei acima é apenas conceitual, não sei se tem um tão prático assim hoje a venda - mesmo caro - o mais próximo do conceito, que eu conheça, é um Table PC, contudo, estes são muito maiores do que o mencionado (eu nunca tive paciência para ler sobre o iPhone, talvez ele seja tal qual idealizei - externamente, pelo menos, é exatamente como eu imaginei - contudo, é caro !).

Um detalhe que eu soltei e não comentei mais é sobre o fato de ser um bloco de papel com aros de arame. Isso permite que eu destaque as folhas já utilizadas e processadas fornecendo uma sensação agradável sempre que o utilizar e garante uma segurança razoável de que as folhas vão continuar presas no arame, mesmo que eu arranque a terceira folha e deixe as outras duas fixas.

E não se deixe enganar pela propaganda. É fato que existem equipamento tecnológicos muito úteis, mas nem sempre isso é tão fantástico assim como a propaganda diz (até porque a propaganda ignora a questão da segurança pessoal). Conheço pessoas que compraram um palm de forma empolgada e nunca o usou plenamente, pois não tinha como manusear o equipamento em qualquer lugar, como eles imaginaram.

Como esse texto é um puro relato da minha experiência pessoal, eu me abstive de procurar referências sobre o que outras pessoas pensam sobre esse assunto. Mas é fácil ver que não sou o único a pensar de forma semelhante, embora os textos que eu já vi/li não sejam tão insistentes quanto as características físicas do bloco de papel.

5 comments:

  1. Opa Mitre!

    Um palm de 200 reais faaz isto (zire 22, no mercado livre)... ele vem com um programa rudimentar de desenho! com um micro editor imbutido....

    Mas está R$170,00 acima do seu teto de valor :-)

    []'s

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  2. Sergio,
    mas ainda é relativamente pesado ! (E eu não estou falando de dinheiro) 100 gramas no bolso da camisa não dá certo !

    Mas é bom saber que não estamos tão longe a sim da existência da tecnologia.

    De qualquer forma, ainda caio no caso de você se sentir seguro em usar o equipamento em qualquer lugar que esteja. Isso é fundamental para mim. Das várias vezes que o bloco caiu da minha mão, nada aconteceu além de eu ter que ir pegar ele do chão...

    Além disso, eu realmente acredito que o preço da tecnologia vai cair e cair muito. Tal qual caiu o preço do pendrive, visto que dá para comprar 3 por 20 reais (de marca boa, mas de baixa capacidade ~ 128 mb) hoje em dia.

    [ ]'s

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  3. eh eh!
    Eu peguei o espírito da coisa :-) Mas não podia perder o comentário.

    Não só os seus argumentos são convincentes como estou experimentando a versatilidade de anotar direto no bloquinho... e acredite não precisa mas olhar pro lado pra sacar meu bloquinho de folhs coloridas no ônibus :-)

    Pra mim, o detalhe do peso no bolso não é importante eu sempre ando de mochila :-)

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  4. Sérgio,
    você sempre anda com uma mochila ?
    sempre ? Mesmo quando vai passear com a esposa e filhos ou para aquele almoço de família ?
    ou quando vai ao supermercado ?

    Bem, eu não ando com mochila nessas ocasiões. E mesmo quando vou para a universidade eu deixo ela no canto quando saio para almoçar ou fazer qualquer outra coisa no campus.

    OBS.: Eu tinha sacado a piada ... é que eu quis deixar claro que eu realmente acredito naquele preço que hoje é imaginário e cômico ! Embora a inflação real possa fazer ele subir, em média, 6 % ao ano. Então, se demorar 10 anos, será o equivalente a uns 50 reais.

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  5. Já há algum tempo também uso papel e caneta pelo os mesmos motivos que você escreveu aqui, é mais prático, não tem preocupação em perder ou ser roubado...

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