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Monday, July 09, 2007

Uma temporada no Gnome: algumas dicas depois...

Algum tempo depois de eu ter relatado aqui minha experiência inicial com o Gnome, eu volto a escrever o que aconteceu depois disso, especialmente devido a algumas dicas que obtive dos pessoal nos comentários.

Vou inverter um pouco a ordem cronológica, e começar com os plugins para o Gedit. Eu havia instalado o pacote "gedit-plugins", mas não tinha percebido que esse pacote não habilitava automaticamente os plugins que eu tinha instalado. Ao fazer isso, eu sou obrigado a reconhecer que o Gedit supera o Kate em muitos aspectos. Mas o principal diferencial do Gedit sobre o kate não está nos plugins, mas sim, na capacidade de reconhecer a codificação do texto que acabamos de abrir.

Mas voltando aos plugins, eu confesso que menosprezei os plugins do Gedit. Tanto que quando o Leonardo indicou um plugin para LaTeX em um comentário do texto anterior, eu cheguei a comentar que achava muito difícil que um plugin conseguisse fazer o que uma suite tão completa quanto o Kile era capaz de fazer. De fato esse plugin não faz tudo que o Kile faz, mas quase chega lá. Ele adiciona quase tudo que eu gostaria de ver em um editor LaTex. Ajuda com os comandos (a lista é até mais completa que a do Kile), com estrutura de documentos, inserção de figuras e letras e uma região de "macros" que na prática permite inserir pedaços de código personalizado no documento. É realmente um plugin extraordinário, chega a ser covardia chamar o plugin de plugin. Nunca vi um plugin tão sofisticado.

Por umas e outras, eu recomendo instalar a versão em desenvolvimento. É fato de que ela tem bugs (é a de desenvolvimento), mas a estável também tem e a de desenvolvimento não fica muito atrás na estabilidade e muito a frente da usuabilidade. Um problema por outro não faz tanta diferença, mas o lucro na troca é grande.

Dos recursos, o que falta nesse plugin (pelo menos em relação a versão desenvolvimento) é o gerenciamento de projetos. Para quem escreve projetos com dezenas de arquivos tex e outras centenas de imagens, a falta desse recurso pode ser um problema.

Se eu não troquei o Kile pelo Gedit, é por três motivos: mero hábito, já que alguns recursos se apresentam de forma diferente. Por causa da produtividade, mudar não é tão rápido, mas para quem ainda não escolheu um editor esse plugin consegue suprir as necessidades de edição e é uma boa escolha. E, por incrível que possa parecer, devido a um plugin que integra LaTeX no Eclipse (escrevo sobre essa história outro dia). Não se esqueça de ler as "dependências" e os "problemas conhecidos" para permitir que você use todo o poder que esse plugin permite.

De qualquer forma, para textos simples, curtos (20 páginas) e baseados em um único arquivo .tex, eu já estou escrevendo usando o "Gedit"+"LaTeX Plugin", inclusive em casa, onde uso KDE. Para pequenos projetos ele é muito mais eficiente.

Eu sugiro uma boa olhada na página de plugins para o Gedit. Existe muita coisa interessante.

Já o Gabriel deu a dica que resolveu todos os meus problemas iniciais. Colocar atalho de teclado além do trivial "Sistema > Preferências > Atalhos de teclado". Particularmente eu achei a solução pouco intuitiva. Quero dizer, primeiro você edita o keybinding-commands para dizer quem você quer chamar, depois você edita as chaves em global-keybinding vinculando a cada edição feita em keybinding-commands. Tudo bem que não é nenhum absurdo, mas o o Gnome não têm a simplicidade como marca fundamental ? Onde ela foi parar com isso ? De qualquer forma essa dica foi ouro e me permitiu configurar tudo que eu queria.

Um dos problemas que ainda persistem é sobre a questão do Nautilus. Eu olhei todos os gerenciadores de arquivo do "Freshmeat.net" e outros repositórios de softwares, como o "Gnome-Files". De todos que eu vi, apenas um chamou a minha atenção de forma positiva: PCMan File Manager (apt-get install pcmanfm). Se você olhar rápido vai confundir com o Nautilus. Bem, não é o Nautilus, o que significa que os scripts para Nautilus (e os Nautilus-actions) não vão funcionar. E se é possível, ao menos eu ainda não descobri como fazer isso.

O PCMan File Manager não possuí o recurso de dividir a janela em duas (por isso não é a solução exata que eu procurava), mas ele permite navegar com abas. Isso é quase (literalmente) a solução. Se não é ideal, é pelo menos melhor do que o Nautilus, desde que você não queira usar os scripts para Nautilus. Particularmente, eu posso viver sem esses scripts, e prefiro perdê-los a perder navegabilidade (do meu ponto de vista, claro !). Aliás, visto que eu buscava uma solução alternativa para o Nautilus desde que comecei a usar o Gnome, abandonar esses scripts não é tão doloroso assim.

Por outro lado, o Gnome nasceu para usar o Nautilus, portanto não sei se é inteligente "se livrar" do Nautilus completamente (nem sei se é possível), portanto, não pude deixar de ler a também dica do Gabriel, sobre o Nautilus-Actions. Aliás, é até curioso, porque eu tinha instalado o Nautilus-Actions tão logo instalei o Gnome, mas não tinha percebido que era preciso instalar algum script para ter alguma coisa. Eu sei que parece idiota - e até é - mas para mim não parecia trivial baixar apenas um "gerenciador de scripts", para mim vinha algum script junto (nem que fosse um "Olá, Mundo!").

Oras, eu não devo escrever novamente sobre minha saga com o Gnome do ponto de vista de um novo desafio. E isso porque de todos contratempos pessoais (olhando agora, "problema" fica muito forte nessa frase) que descrevi, o único que não foi resolvido completamente a meu gosto foi sobre o gerenciador de arquivos. E isso não é um problema. Especialmente depois de ter descoberto o PCMan File Manager.

Aproveito para agradecimento especial ao Gabriel e ao Leonardo pelas suas valiosas dicas. Vocês não tem idéia de como elas foram úteis.

Minha relação com o Gnome está melhor do que eu suponha que seria quando comecei a usá-lo. E isso vai inserir uma séria pergunta para a próxima instalação de linux em casa: Gnome ou KDE ? O que outrora era uma resposta pronta na ponta da língua, agora já não vai mais ser uma escolha fácil. Felizmente eu tenho até outubro para decidir.

4 comments:

  1. Fico feliz de ter ajudado tanto!

    Imagino que você já tenha dado uma olhada, mas por via das dúvidas, recomendo experimentar o plug-in do Painel do Navegador de Arquivos. Quando ele está ativado, a aba lateral pode ser usada para exibir os arquivos e pastas do diretório atual - repare na aba com o ícone do fichário, abaixo do painel lateral.

    Isso não é exatamente um gerenciador de projetos, mas deve quebrar um galho!

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  2. Leonardo, sim, sim ... Eu reparei isso. E é muito útil. Mas como você mesmo disse, não é um gerenciador de projetos.

    Uma coisa que eu não disse, mas quem der uma olhada na página do plugin vai ver, é a velocidade de desenvolvimento desse plugin. Não duvido nada que apareça um gerenciador de projetos em muito pouco tempo. É praticamente a única coisa que falta (além de outros detalhes menores).
    Valeu!

    []'s

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  3. Oi Mitre,

    foi quase telepático. Eu testei o plugin do LaTeX para o Gedit na semana passada. Eu tive a sensação de "não é o Kile", também. Eu não sei se foi a versão que usei mas algo chato é que ao mandar o Build, ele não salvava o arquivo e aí compilava a versão anterior :( Aí tinha que usar dois shortcuts: Ctrl-S e Ctrl-F5. Você encontrou o mesmo problema, ou é feature ?

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  4. Thadeu,
    a última versão (desenvolvimento) salva o arquivo atual antes de compilar. Não sendo necessário usar duas teclas de atalho.

    Esse plugin é o de uma extraordinária velocidade de desenvolvimento. As vezes o que não estava disponível ontem, está hoje.

    []'s

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