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Tuesday, June 26, 2007

Uma Temporada no Gnome

No dia 7 de junho eu fiz uma grande besteira no computador da universidade. Nessa ocasião eu necessitei de reinstalar o sistema, pois este já estava cheio de remendos de besteiras anteriores a sei lá a quanto tempo. Bem, eu sou um usuário do KDE, mas acabei aceitando um desafio (praticamente pessoal) de usar o Gnome. Boa parte da minha motivação consistia em tirar-a-teima com Gnome e nesse meio tempo, ver como eu me saio usando apenas ele. Então desde que reinstalei o computador estou apenas com o Gnome na universidade. O que em outras palavras são aproximadamente 2 semanas no Gnome.

Eu confesso que não me imaginava que essa relação fosse durar tempo suficiente para que eu tivesse algo para escrever sobre. Mas a experiência até tem sido agradável. O maior choque foi no primeiro momento, onde eu não conseguia "me achar" e ia atrás de "botões" que não existe, de opções que não existem (pelo menos não no mesmo lugar)

Praticamente todos os softwares que eu uso no KDE possuem equivalentes no Gnome, mas um dos primeiros softwares que eu tive que instalar foi o Kile (para LaTeX), simplesmente porque não conheço equivalente a altura em termos de interface, claro. Incrível isso, não ? Existem softwares alternativos (melhor dizendo, qualquer editor escreve LaTex), mas nenhum editor que possua tantas facilidades quanto o Kile.

Logo depois, eu fui fazer uma coisa que eu não vivo sem, configurar teclas de atalho ( no gnome, temos: Sistema > Preferências > Atalhos de teclado ), felizmente para minha relação com o Gnome, o navegador e o gerenciador de arquivos padrão podem ser configurados com uma tecla de atalho (do contrário eu desistiria do Gnome ali mesmo), mas eu fiquei surpreso ao não ver nenhuma possibilidade de, por exemplo, chamar o Kile por tecla de atalho (eu ainda vou procurar saber se existi um programa que compense isso) ... mas isso não chega a ser um problema, pois a "ideologia" Gnome nos prepara para ter duas barras de tarefa, logo, eu enchi a barra de cima com todos os programas que eu uso frequentemente. As alternativas eram usar um mini-aplicativo chamado "gaveta" ou colocar ícones no desktop. A Gaveta parece uma boa idéia, mas seria muita novidade em pouco tempo, já ícones no desktop, era passar um pouco da linha, 4 ou 5 ícones, vai lá, mas uma dúzia nem pensar ... é questão de gosto, mas isso também é importante, não ?

Por outro lado, o Gnome me pareceu muito, mas muito mais leve do que o KDE. É certo que não comparei nada com nada (nem mesmo olhei a memória consumida), foi apenas impressão, mas no final das contas não é isso que realmente importa ? Também me senti o sistema mais estável. Especialmente ao lidar com dispositivos externos (via usb) e servidores externos (ssh/smb). Eu consegui fazer cópias de um lugar para o outro via ssh na mesma velocidade que eu obteria se estivesse no terminal, algo que eu nunca vi no KDE.

Agora se tem uma coisa que eu não me adaptei e creio que nunca me adaptarei é a interface do nautilus. Ele não permite que você faça um "split" da janela atual em duas. Nem mesmo quando eu usava o windows, eu não usava o windows explorer por esse mesmo motivo. Na época eu usava o 2xExplorer (que já mudou de nome tantas vezes que eu nem saberia dizer qual é o atual), mas o fato é que os programas como o Gnome-Commader não é tão eficiente quanto o Konqueror (quem já usou os dois sabe do que eu estou falando). Para mim é um pouco incompreensível não existir um gerenciador de arquivo nativo para Gnome que tenha três divisões básicas, duas janelas e uma árvore de navegação como é incompreensível o motivo do Nautilus não ter esse recurso disponível de forma nativa (mesmo que desativado), de qualquer forma eu ainda não desisti Gnome apenas por conta disso (apesar de pensar nisso toda vez que abro o Nautilus).

A conclusão é que é realmente surpreendente. Eu realmente não esperava me sintonizar de forma eficiente com o Gnome. A famosa interface limpa e clara para o usuário sempre foi algo que eu não considerei produtivo, especialmente quando acontecia de eu ter que imaginar onde está aquela opção que eu precisava nos poucos momentos que eu usava live-cds com o Gnome. Pretendo continuar a usar o Gnome na universidade, meu principal objetivo é me treinar um pouco dentro do Gnome, ganhando mais velocidade no seu manuseio.

Já venho escrevendo esse texto a uma semana, mas hoje foi publicado no Meio Bit uma interessante comparação entre o Ubuntu e o Kubuntu. Não só achei o estudo interessante do ponto de vista que foi realizado, ou seja, do ponto de vista do leigo que recebe apenas o CD, como concordo com a maior parte do que está escrito lá. Considero o Ubuntu realmente melhor do que o Kubuntu praticamente por causa dos mesmo motivos apontados, mas ... a personalização do ambiente pode empatar ou, até mesmo, inverter o placar.

Do mais, do mais, fica o recado que não se prender a um único ambiente é algo extremamente saudável, conhecer os dois ambientes por ser importante por diversos motivos, mas o principal deles é ter contanto com aplicativos originalmente escritos para um ambiente que serve e funciona muito bem no outro ambiente e que muitas vezes é preferível na hora de resolver pequenos problemas (o gerenciador de redes é o melhor exemplo).

8 comments:

  1. Gabriel Falcão27/6/07 00:28

    Eu comecei minha vida de "linuxer" no kurumin, logo, comecei com KDE, e achava a ultima maravilha do mundo, o superkaramba era o máximo!
    Até que um dia eu conheci o Debian BR-CDD e me apaixonei pelo GNOME.
    No entanto como vc mesmo disse, há peculiaridades do KDE que o GNOME ainda não possui, e vice-versa.
    Foi então, que como um programador fissurado e amante de eye-candy, entrei numa longa e árdua missão:
    Buscar alternativas GNOME para suprir a falta do KDE, e quando não existir, criar uma eu mesmo.

    Foi assim que surgiu a idéia do Guake e outras coisas mais...

    Bem.. deixando de papo quero te dar algumas dicas pra melhorar sua interação com o GNOME:

    1- Use o nautilus-actions ao máximo:
    http://nacaolivre.org/2007/03/18/personalizando-o-gnome-parte-1-nautilus-actions/

    2- Use o gconf-editor para personalizar teclas de atalho. Assim vc poderá usar o Kile e qualquer outro aplicativo tranquilamente:

    execute o comando:

    $ gconf-editor /apps/metacity

    edite o global-keybinding e o keybinding-commands

    o gconf é uma camada de configuração de aplicações gnome que segue a filosofia do regedit do windows.

    3- Experimente o gnome-box-launch:
    http://simplesideias.com.br/instalando-gnome-launch-box-no-ubuntu/

    ele parece mto com o Katapult do KDE

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  2. Boa Gabriel. Primeiro pelo espírito, segundo pelas dicas que certamente serão muito úteis.

    Certamente, no mínimo, as teclas de atalho serão um conforto e tanto. Valeu muito por essa !

    Pretendo passar uma longa temporada no Gnome para descobrir como me virar apenas com ele. E não tenha que depender tanto do KDE para sobreviver...

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  3. Muito legal este artigo mitre, e muito boa dica Gabriel.

    Eu queria pedir uma coisa a vcs, se possivel mostrem a configuração das teclas, isto é que atalhos vcs usam para o que .

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  4. Silfar, valeu pelos elogios.
    Respondendo sua pergunta: tecla de atalho é como religião e futebol, cada um tem o seu e toda discussão pode gerar polêmica.

    De qualquer forma, os meus são ctrl+2 para o gerenciador de arquivos, F6 para o navegador, ctrl+8 para o Kile, F11 para o terminal ... Oppaaa !!! ao usar F11 para inicial o terminal eu desconfiguro um monte de software que usa essa tecla, como o navegador que usa F11 para entrar em modo fullscreen...

    Entende porque cada um tem sua própria combinação ? Ao personalizar um atalho você desconfigura outros existentes ...

    Completando a lista, eu uso FX ou ctrl+alt+X ou ctrl+X, onde X é um número, para cada programa que eu tenho interesse de iniciar assim.

    No KDE não há limite, ou melhor, o limite é o número de combinações de teclado. No Gnome eu ainda não investiguei...

    []'s

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  5. Obrigado pelos elogios ao meu ambiente de trabalho favorito :)

    O Gedit tem um plugin para LaTeX, se você juntar com os plug-ins do pacote básico talvez você fique satisfeito. Nunca usei o gVim para LaTeX, mas o programa tem uma integração razoável com o GNOME.

    Essa questão do GNOME ser mais leve que o KDE é controversa, mas acho que isso é bem possível por um simples motivo: É bem mais fácil ter um sistema 100% GTK+/GNOME que um sistema 100% Qt/KDE. O GTK+ é muito mais usado fora do GNOME que o Qt fora do KDE!

    Existe uma pletora de gerenciadores de arquivos à la midnight commander baseados em GTK+. Já que você não se deu com o GNOME Commander", sugiro experimentar o Gentoo (não é a distribuição!) ou procurar outros no GNOME Files.

    Bem-vindo a bordo!

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  6. Leonardo, eu nem elogiei tanto. Apenas descrevi minha experiência !

    Uma das coisas que estou devendo a mim mesmo é instalar os plugins no Gedit, tanto que eu nem o comparei ao Kate no texto (onde tudo já está configurado). De qualquer forma eu acho difícil ver um plugin que faça o que o Kile faz, especialmente quando temos muitos arquivos .tex em um mesmo projeto, mas eu vou olhar essa sua dica com carinho ... e aproveitar e buscar sobre os outros plugins, fortran, C/C++, HTML, javascript, arquivos de configuração, shellscript, etc, se tiver dicas, estou ouvindo (ou lendo) !

    Quanto o GnomeFiles, eu recebi esse link de uma amigo, e eu olhei todos (um a um) os softwares da categoria de gerenciadores de arquivos que lá estão (o Gentoo inclusive). Francamente, não gostei. O GnomeFiles é uma ótima dica e site, mas os gerenciadores alternativos ... mas eu ainda não desisti de procurar (na verdade, ainda não procurei no Freshmeat, outra coisa que estou devendo)

    Quanto ao Gentoo, é ele feio que dá dó, hein ? Ou é a versão que está no apt-get ? O Gnome-Commander seria bem melhor que esse Gentoo (e o pior é que fica aquela sensação ruim de que estamos falando da distro ... e não é isso! )

    Dentro de 2 ou 3 semanas eu devo revisitar o assunto e contar as novidades, se houver (espero ter tempo para buscar os plugins e quem sabe encontrar o meu gerenciador de arquivos ... )

    Tô na luta !

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  7. Oi Mitre, você não é o único a se surpreender com o gnome. Eu mesmo uso o gnome na universidade a não sei quanto tempo e a despeito de gastar algum tempo procurando os comandos pra executar algum apllicativo, sempre gostei. No entanto, um detalhe, desses que ninguém presta atenção, me incomodava. No kde eu sempre usei o atalho shift+del pra deletar algum arquivo etc, sem passar pela lixeira, adoro esse comando, embora às vezes, tenha dores de cabeça por descuido. Pois bem, hoje decidi de qualquer jeito que aprenderia como fazê-lo no gnome, busquei pra todo lado, google em português, inglês e nada. Até me deparar o seu post e o comentário do gabriel falcão. Não sei se vou conseguir meu intento, ainda vou testar as dicas do gabriel, mas de qualquer modo, o que mais me surpreendeu ou assombrou foi a grande dificuldade que encontrei pra fazer algo muito simples, beirando a tolice, exceto pra mim, que concordando com o seu comentário sobre atalhos, os considero como uma religião.

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  8. Ramon,
    grato pelo seu comentário.
    eu realmente não sei se é possível fazer o que deseja com a tecla de atalho.
    o fato é que eu também fazia isso, mas acabei me acostumando a remover os arquivos da lixeira ou a abrir o terminal para remover um arquivo ... não é brilhante, mas funciona.

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