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Monday, April 11, 2011

Livros, Archlinux, KDE4, nokia e outras coisas...

Você percebe que tem alguma coisa errada com seu blog quando ele aparece como o blog mais desatualizado de sua lista de leitura do Google Reader.

Pois bem. Esse blog não morreu. Pelo menos não tenho intenção de executá-lo.

Esse início de ano foi atípico. Depois de minha defesa de doutorado eu pisei no freio, passei uma semana em Ouro Preto, visitei o Rio de Janeiro (sim eu visitei a cidade que eu moro, pois nunca tinha ido ao Pão de Açúcar ou ao Corcovado. Resolvi esse pendência esse ano). Li vários livros (li mais esse ano do que nos últimos 7 anos de minha vida).  Também tenho ido muito ao cinema recentemente (já viram "Rio" ? Não perca !!!).

E por falar em leitura, conhece o livro "Arte de viver" ? Talvez seja o livro mais proveitoso que já tive a oportunidade de ler até hoje e certamente foram os 10 reais mais bem gastos com livros de minha vida. Porque é muito livro para 10 reais e 96 páginas. Um outro livro muito interessante no mesmo tópico é o "Guia do Imperador".

Mas voltando ao blog. É verdade também que o ritmo do blog diminuiu porque eu diminui o meu consumo de novidade de computador. Ainda tenho alguns artigos pendentes, mas são artigos que não dependem da data. Quando eu os escrever, será atual. Sinceramente, quem pode me dizer que houve uma fato impressionante, empolgante e revolucionário nos últimos meses ? Claro que tivemos notícias e, algumas, interessantes, mas notícias são só notícias e tem gente que escreve notícias melhor do que eu.

Pequenas experiências computacionais, por outro lado, me parecem uteis compartilhar.

Essa semana resolvi um problema com o Arch Linux e o cubo do KDE 4. Algo antigo que vinha me atormentando nos últimos meses. O KDE travava quando eu concluia o uso do cubo. Resolvi o problema desmarcando o "Habilitar o processamento direto" que é uma opção da aba "Avançado" dos "Efeitos da área de trabalho"

Outro problema recente é que o meu diretório de configuração do KDE4 no Arch Linux é velho. Muito velho. Da época que o diretório .kde era muito util e .kde4 era novidade. Pois, na última atualização, esse diretório velho .kde começou a interferir no funcionamento do KDE4, bastou deletar o mesmo para tudo funcionar bem.

Já tentou reconfigurar toda uma conta do zero depois de anos usando o mesmo diretório de configuração ? Cara, como isso dá trabalho ! Ainda bem que eu não precisei de fazer isso.

Estou migrando minha estação de trabalho na Universidade para o Scientific Linux 6. Não estou nem um pouco interessado em esperar o CentOS 6. As coisas não andam muito boas para o CentOS. O Scientific Linux conta com o KDE 4.3 o que é uma coisa muito boa. O motivo dessa migração é um programa muito caro e fechado que o laboratório pagou para ter, mas que depende de um RedHat Enterprise Linux da vida... alguma atualização no X tem produzindo incompatibilidade com as versões mais recentes de Linux. Sendo atualmente incompatível com o openSUSE 11.4, o Ubuntu 10.04 ou mais recente, etc e etc. Em casa eu continuo firme e forte no Arch Linux

Também nesse período eu adquiri um Nokia N8. Além de ter uma bela, potente, prática e muito bacana câmera fotográfica a mãos em 100 % do tempo, eu agora uso menos o computador. Especialmente em casa. É muito mais prático ler o Google Reader, acessar o Gmail, etc e etc. Francamente, eu não dou a mínima para a questão do software que a Nokia escolheu para o futuro dela. Eu não preciso fazer parte desse futuro, eu faço parte do presente e estou satisfeito, muito satisfeito com ele. Eu não escolhi o software, eu escolhi o hardware. A câmera fotográfica com lente de alta qualidade, 12 MP e flash Xenon. O restante é bônus.

É isso ... as coisas estão voltando aos trilhos, espero que o blog também o faça.

Wednesday, June 16, 2010

As continuações desnecessárias

Alguém que goste de cinema já deve ter visto inúmeros filmes que eram, no mínimo, desnecessários. Boa parte desses filmes eram continuações desnecessárias ou ridículas de filmes que fizeram sucesso (ou nem tanto). Vamos a uns exemplos:
  • Titanic II - Esse já passou na TV aberta e eu, acredite, vi. Basicamente é uma histórica igualzinha ao original que em teoria seria paralela ao primeiro filme. Para dizer a verdade eu não sei se é isso ou se eu dormi vendo o filme.
  • SWATT 2 - No exterior o nome é outro, o que me faz pensar que não era para dar idéia de continuação. Seja como for, é o pior filme que eu já vi na vida. Há filmes de ação no YouTube milhares de vezes mais interessantes que esse filme.
  • Anjos Rebeldes 2, 3, 4 e 5 - O primeiro filme é um clássico. Os seguintes faz você desejar que o primeiro tivesse sido um fracasso. Olha... tem gente que gosta. Mas teria sido muito mais legal se não tivesse tido seqüência. E para ser bem sincero, eu vi apenas até o terceiro filme. O terceiro filme parece um piloto de série de baixa qualidade. Me arrependi amplamente de tê-lo visto. O segundo é visível, mas não tem o clima do primeiro. Descobri que havia um 4 e 5 hoje, ao escrever, esse texto.
  • Duro de Matar 4 - O primeiro foi muito legal. O segundo foi desnecessário e repetitivo, mas teve cenas interessante. O terceiro foi mais cansativo ainda, mas os atores e o clima de "vou fechar a história do primeiro" salvavam o filme o quarto... eu nem me lembro da história.
  • Rambo III e IV - Rambo é um personagem apoiado pelos governo do EUA para aumentar a simpatia pelos veteranos que voltavam do Vietnã. Por isso, somente, devíamos não gostar dos filmes ? Eu não penso assim. Filme é filme e ponto. Os filmes fictícios não deve servir de base para uma opinião política de coisa alguma. No máximo serve para discutir alguns pontos, mas só. Seja como for, não deixava de ser emociante ver o personagem criado para o primeiro filme e foi interessante ver o que ele era quando o soltaram no segundo filme (e novamente, não confunda realidade com ficção, que não estamos aqui para elogiar nenhum tipo de idiotice política - abstrai, pensa em país A e país B). O terceiro filme foi mais que desnecessário. O quarto ... e dizem que vai ter quinto.
  • Velocidade máxima 2 - Desnecessário dizer o quanto foi desnecessário. Achei o primeiro filme divertido, mas o segundo é cansativo. É "igual" ao primeiro, muda apenas o veículo. Bem, dizem por aqui vem o velocidade máxima 3, no espaço. A notícia é do meio do ano retrasado ...
  • Superman IV - Filme que ficou para história pela montagem de baixa qualidade dos efeitos especiais entre outras coisas, que nem valem apena discutir. E sim, além desse existe o Superman I, II e III e o Superman Returns.
Eu poderia passar o dia listando oportunidades extraordinárias que o cinema perdeu ao não fazer nada. Digo isso porque um filme se torna um clássico, é um épico, é uma lenda, se sua franquia não for destruída por continuações que talvez nem tenham dado lucro significativo.

A indústria do cinema e a moda do remodele, reescreva, reinvente a mesma coisa da mesma forma, mas com um número de diferença é quase tão desgastante quanto uma rotina estressante do dia-a-dia, mas que assim como essa rotina, nós a consumimos, dando margem para eles fazerem mais continuações e manter esse ciclo desagradável. Será que somos nós mesmo que queremos essas mesmas coisas sempre ou isso é fruto da falta de escolha melhor?

Confesso, entretanto, que isso me desagrada menos que os remakes.

Sunday, March 14, 2010

A moda dos remakes

Não é tão recente que vivemos o grande problema dos remakes. As regravações tem tomado conta do mercado cinematográfico ao lado de filmes de vampiros/lobisomens e adaptações de quadrinhos. Apesar de considerar a polarização de idéias um problema razoavelmente grave, a verdade é que nada é tão problemático quanto os remakes.

Para quem não sabe, um remake é uma regravação de algo que já foi feito antes. Pode conter uma história ligeiramente modificada ou até completamente diferente, mas é baseada em um filme já feito. Até certo ponto, a idéia não é de todo ruim, alguns filmes até precisam de um remake. O problema é o abuso.

Vou tomar como exemplo filmes de faroeste. Quem assistiu a nova versão de "Os indomáveis" pode ter se perguntado o que foi feito nesse filme que não podia ter sido feito no original e a resposta é: nada. Filmes de faroeste tiveram seu auge e desapareceram (um dos problema das polarização mencionada acima), mas o ponto que eu considero um absurdo é que não há sentido em refazer um filme que já era perfeito quando foi feito. É como pensar em refazer "Três Homens em Conflito" (The Good, the Bad and the Ugly), que assisti novamente recentemente, porque eu iria querer refazer esse filme ? Será que o novo filme conseguiria gerar a tensão que a versão original produz ?

Então, porque pensar em refazer filmes como esses ? A resposta não poderia ser mais preocupante: apenas dinheiro.

O filme vai ao cinema, é vendido para locadoras a um preço absurdo, depois é vendido ao canal de televisão por assinatura, em seguida para a TV aberta. Depois disso é vendido para a população no formato de DVD simples, DVD duplo, DVD para colecionador e tudo isso novamente em Blu-ray (sim, mesmo filmes antigos podem ser lançados em Blu-ray). Essas mídias vivem três a quatro faixas de preço, sofrem com inúmeras "repetições" em diferentes horários da TV e quando não há mais nada que possa ser feito para fazer aquele filme gerar dinheiro, eles lançam um pack de DVD e/ou Blu-ray homenageando o diretor e/ou um dos atores para vender mais ainda. Chega a um ponto que aquele filme empaca e não gera mais lucro algum. Aí eles fazem um remake com os atores da moda e película de imagem mais moderna e começa o ciclo todo novamente.

É nesse ponto que o remake é um grande problema. O filme não é refeito para aprimorar a qualidade dos efeitos especiais ou para corrigir um problema original de divulgação do filme que o fez não ter o sucesso que ele merecia. Se trata simplesmente de recomeçar o ciclo comercialização financeira do produto.

O exemplo que usei de "Três Homens em Conflito" é apenas um exemplo. Eu ouvi falar que queriam refazer o filme, mas não sei como foi que essas intenções acabaram, provavelmente e felizmente desistiram. Se quer uma lista de remakes que de fato aconteceram, pode ler a do CinePop (não é muito nova, mas dá uma idéia do problema). Eu diria apenas para ter cuidado com a colocação de "Sete Homens e um Destino" como remake de "Os Sete Samurais", como é dito no texto, ambos são clássicos e possuem personagens fortes. Por serem de culturas distintas, essa afirmação de remake é um pseudo-exagero. Da lista, chama atenção o remake de "O Planeta do Macacos" que é uma situação interessante, porque prova que não basta ter bons efeitos especiais e tecnologia atual para fazer um filme ser melhor que original.

Um outro filme que chama a atenção pelos remakes é o "O Grande Motim" (Mutiny on the Bounty) que até onde eu sei tem uma versão de 1935, uma em 1962 e uma em 1984 (com outro nome). Eu já ouvi dizer que existem outras refilmagens tiveram pequena expressão (que não é simples de localizar porque eles contam a mesma história com outro nome). Mas o que realmente chama atenção nesse caso, é que apesar de serem (no plural) filmes premiados, pouca gente ouviu falar deles. Outro ponto interessante é que o primeiro ganhou o Oscar de melhor filme e teve 7 indicações, o segundo teve 7 indicações ao Oscar, não ganhou nenhuma, mas teve outras premiações e o último teve 2 indicações, a indicação a "Palma de Ouro" (melhor filme em Cannes) e a indicação de melhor filme da British Society of Cinematographers e não ganhou nenhuma das indicações. Isso certamente significa alguma coisa.

Há um risco atual de que sejam feitos novos remakes de todos os filmes com a desculpa de colocar eles em 3D. Já há vários artigos a respeito. Embora em um primeiro momento a expectativa seja boa, no segundo momento, tudo que escrevi acima e experiências como o "Planeta dos Macacos" provam que o cinema não vive apenas de tecnologia e tudo isso fica muito preocupante.

O que nós podemos fazer ? Resistir a tentação e dar o troco aos produtores explicando o que eles já deviam saber através do efeito no bolso. Seria mais justo o relançamento desses filmes clássicos no cinema da forma que eles foram feitos. Mas o que queremos é filmes novos com qualidade. Nós temos séculos de literatura com novas idéias e novas inspirações sendo postas a prova todos os dias, temos quase 4 mil anos de história a ser contada de diferentes formas. São sagas, histórias de amor e ódio, terror e fantasia, muita aventura e ficção científica registra em livros, épicos grandiosos e tudo que a indústria do cinema sabe fazer é refazer o que foi feito ? Eu sei que eles podem fazer melhor que isso.

Friday, February 05, 2010

Temperatura de armazenamento de DVDs

O calor absurdo que tem feito nesse início de ano no Rio de Janeiro me fez lembrar o motivo pelo qual eu nunca compro DVDs em banca de jornal cujo o lançamento seja feito no verão ou que tenha passado por um verão.

Muitos DVDs ficam expostos ao sol e os que não estão assim, estão dentro das bancas metálicas. Sem contar os domingos que elas permanecem a parte da tarde fechadas.

É certo que a temperatura de uma banca de jornal fechada durante um dia quente de verão passe dos 55 ºC limites para o armazenamento de DVDs. De fato, o dano não é como o cortar de uma corda, como se tivesse um termômetro na superfície do DVD, mas isso não elimina a necessidade de ter uma certa cautela ao adquirir um DVD em banca de jornal nesse versão.

É verdade também que isso está longe de ser um chamado ao boicote, está mais para uma aviso para todos nós (jornaleiros, inclusive) tenham cautela com esse detalhe normalmente esquecido por todos.

Saturday, December 20, 2008

Wall-E

Me surpreendi a alguns dias quando eu fui fazer uma comparação e me disseram que nunca tinha falado de Wall-E (Site oficial, Trailer). Foi nesse ponto que eu me dei conta que eu não tinha falado dele ainda. Bem, tem uma boa razão. Como falar de um filme perfeito ?

Uma animação que fala de amor, que possuí aventura, que emociona e que em nenhum momento decepciona. Que tem começo, meio e fim fabulosos. Trilha sonora impecável. Fotografia deslumbrante. Diálogos fantásticos. Nota especial para os diálogos, pois pondera o melhor de Charlie Chaplin com o melhor de William Shakespeare (o filme tem poucas falas, mas as que existem são, bem ... perfeitas). Alguém tem idéia de como classificar isso em termos de adjetivos ?

Uma história muito bem contada, com todos os elementos necessários para ser uma ótima história que consegue ir além, muito além. E ainda é politicamente correta ! Céus ... foi o primeiro filme politicamente correto que eu vi que não é nem um pouco forçado em seus argumentos.

É tão raro ver um filme de hoje com tamanha perfeição, que empolga na hora de escrever. Quando ver o filme novamente, observe atentamente as cenas.

A influência de Charlie Chaplin é inegável. Verá claramente, em algumas cenas, o Carlitos através do Wall-E. São as melhores cenas do filme (que só tem cenas ótimas). Verá críticas inteligentes, tal como em "Tempos Modernos", mas adaptadas com genialidade para o nosso "tempo moderno".

O William Shakespeare também deu o ar de sua graça através de algumas frases que são ditas no filme. Ouça com atenção (ok, isso já é uma empolgação minha, mas o que quero dizer segue adiante). São poucas palavras e ao contrário de Shakespeare são frase curtíssimas (portanto, o estilo e influência não são do mesmo autor - daí o meu exagero). Mas algumas são tão profundas que poderiam resultar em um livro só para descrever o que querem dizer (assim como "Ser ou Não Ser"). Aliás, você já pensou como é fascinante para uma criança aprender o significado de novas palavras ? A profundidade do significado do "aprender" algo novo é ... indescritível.

Bem, um filme perfeito. Merecia todos os prêmios do ano (drama e comédia). E digo mais, embora seja uma animação, ela devia concorrer como um filme. Veja também a crítica no Contraditorium. Aliás, ele também citou Charlie Chaplin, mas para descrever a dedicação de quem fez o filme. Nada mais justo (aqui também falta adjetivos).

Enfim, veja. Já está disponível em DVD.

Saturday, August 09, 2008

Vários filmes e uma crítica

Acho que estou exagerando nesse negócio de criar filmes com títulos pretensiosos, mas o objetivo é fazer uma limpeza da linha lista de filmes para comentar antes que eles se tornem antes que todos os cidadãos que viveram a época de lançamento do filme morram de velhice.

Então, dando continuidade ao processo, agora temos vários filmes, com comentários curtos. Quase todos os filmes dessa lista já estão em DVD, excessões, como "O Procurado e Hancock" são raras.
[update] Agora que vi que publiquei o texto sem fazer a revisão ortográfica. Um acidente e tanto ! Sorry ! Espero que agora não tenha ficado nada para trás. [/update]
  • Speed Racer - Eu pensei que esse filme ia ser pior. Não acreditei quando vi o resultado. Ficou um filme agradável de ser visto.
  • Eu Sou a Lenda - Oscila entre cenas fantásticas e cenas confusas. Achei exagerado a crítica positiva feita pela maioria na época, mas não compromete. Não é indicado para quem não gosta de pensar enquanto vê um filme. O que lembra, veja o final alternativo.
  • Hitman - Assassino 47 - Esse é indicado para quem não quer pensar. É preciso muito esforço para achar uma história nesse filme. Não é perda de tempo, mas está longe de ser qualquer coisa similar a bom
  • Diamante de Sangue - Drama/Ação de boa intensidade. É um filme politicamente correto que tem um desfecho muito bem realizado.
  • Volver - É um filme de Pedro Almodóvar. Preciso acrescentar algum outro comentário ? Mesmo o pior Almodóvar (que, na minha humilde opinião, não é caso) consegue ser melhor que muito filme por aí.
  • O Assassinato de Jesse James - Eu esperava muito mais desse filme. Achei interessante porque nele os "bandidos" e "heróis" do velho oeste são retratados como seres humanos, não como super-heróis que matam 500 caras com uma pistola.
  • O Procurado - É a pior adaptação de quadrinhos que já vi e creio que nunca verei nada pior, mas é um filme interessante. Só não se pode dizer que é uma adaptação de alguma coisa. Vamos dizer que é um filme mediano de um enredo completamente original. Aliás, a Fox nos quadrinhos tem a cada da Hale Berry. A pior parte mesmo é que eu fui ver isso no cinema...
  • Hancock - Invenção interessante. Possuí inúmeras mensagens subliminares, mas, por incrível que pareça, estas foram utilizadas com um artifício de propagar mensagens corretas, como amor, compreensão, respeito, coisa e tal. Eu espero que tenha um Hancock 2, já que nele nós já conheceremos o herói e os desafios podem ser mais dinâmicos. Ainda assim, vale lembrar que o charme desse filme está na origem. Está no princípio da mudança do antes para o depois. Um filme 2 pode ser uma oportunidade de aprofundar discussões ou de não fazer nada.
  • Cloverfield - Monstro - Eu esperava menos desse filme. Ele é muito melhor do que eu imaginei, mas muito mesmo. Para detalhes eu aconselho ler esse texto do Cardoso. Esse texto explica algumas coisas, e detalha as contra-indicações do filme. Aliás, obrigado ao Cardoso, porque se não fosse esse texto eu NUNCA teria visto esse filme. Quem ia acreditar que isso era bom olhando a resenha do filme ?
  • Babel - É um filme riquíssimo em conceito, mas é muito importante que esteja com disposição para ver filme. Eu achei um filme cansativo.
  • Memórias de um Gueixa - Um dos mais velhos da lista. É um filme excelente especialmente devido a fotografia do filme. Uma das melhores dos tempos recentes.
  • O Ilusionista - Esse é outro filme que eu esperava menos. Esperava menos tudo, mas no fim é um bom filme. Não é para quem gosta de bang-bang, mas também não é parado. Não é uma história de amor mel-com-açúcar (sim, mel), nem é completamente sem sentimentos. Um filme despretensioso e de qualidade.
  • Xeque-Mate - Nome imbecil para um filme muito bom. Eu ainda não sei o que é isso, um suspense/ação/drama ? Talvez tudo isso um pouco. Se gosta desses gêneros e ainda não viu esse filme, procure imediatamente por ele na locadora mais próxima.
  • O Mestre das Armas - É engraçado como Jet Li faz bons personagens e histórias quando seus filmes são feitos na China. É um filme do gênero "O Tigre e o Dragão", mas baseado em fatos reais.
  • A Rainha - Uma "Rainha" também é gente. Se você gosta de um drama de qualidade, interpretado de forma perfeita, esse filme é obrigatório. Até comprar DVD ! Fique atento a conversa entre a Rainha e o Primeiro Ministro no fim do filme e depois pense um pouco em tudo que aconteceu na história mais ou menos recente.
  • Conduta de Risco - Drama/Suspense envolvendo advogados. Um filme politicamente correto com um título prá lá de comprometedor. Deve ser muito difícil dar um nome a um filme. Esse filme vale apena ser visto por quem gosta do gênero.
  • Onde os Fracos Não Têm Vez - Um filme deve ter três elementos básicos. Começo, meio e fim. Esse filme não tem "Começo" e nem "Fim", ou pelo menos eles não estão presentes da mesma forma que supostamente deveria estar presente um um filme. Eu vi esse filme a um bom tempo e ainda não me decidi sobre o que achar dele. Certamente, isso, por si só, é surpreendente.
  • Tropa de Elite - Acredite ou não, só vi esse filme a pouco tempo. Achei ele muito melhor do que eu imaginei. É, provavelmente, a melhor comédia do cinema nacional dos últimos tempos. Sim, comédia, tem algumas situações tão absurdas, mas tão absurdas, que você não acredita que alguém possa ter imaginado uma coisa dessas. Aquela cena do carburador do carro !!! Impagável. E aquela história de mudar o corpo do bandido de lugar. Fala sério, eu rio só de pensar na situação. Tem alguns depoimentos bem impactantes, etc e tal. Mas é como se disse muito por aí, todo mundo que pode pensar sobre esse assunto, sabe que traficante depende de quem compra drogas e quem compra drogas tem dinheiro. Não sei porque polemizar um assunto tão batido. Aliás, eu ouvi gente dizer que o filme retratava um estado "fascista". Eu acho que eu desaprendi o que é fascismo. Se quiser levar para um lado político, diga que ele retrata um estado "totalitário". E só para constar, todo regime fascista é totalitarista, mas o inverso não é verdadeiro. O que me lembra, leiam "1984" de George Orwell. De qualquer forma, para mim o filme é uma comédia/ação com um certo teor de discussão político-social.

Tuesday, August 05, 2008

Três filmes e uma crítica

Algumas vezes a gente tem tanta coisa para fazer que têm filme que pega poeira na lista de "para comentar". Resolvi limpar essa lista em três partes, começando por esse texto.

Falemos sobre Apocalypto, Desbravadores e 10.000 A.C.. Todos, já disponíveis em locadora.

O tempo é aquele que reina a espada, machado e o arco e flecha. Aqueles que dominam o conhecimento são personagens místicos, que falam com sabedoria quase sempre por metáforas incompreensíveis, prevendo o futuro com uma precisão assustadora. A história é sobre uma pequena aldeia ameaçada por forças incrivelmente mais poderosas e mostra a luta de um homem para salvar sua família, contra tudo e todos.

De que filme eu estou falando ? Dos três. Francamente, isso é decepcionante. Parece que vai chegar o tempo que será possível fazer resenhas apenas com ctrl+c e ctrl+v. Fica pior quando percebemos que os três tem a mesma tonalidade fotográfica (pelo menos na maior parte do tempo) e a mesma narrativa conceitual, ainda que cada um tenha um acabamento e corte diferente.

De qualquer forma, os três filmes não são iguais.

Apocalypto não é, em termos de qualidade, nem sombra do que foi a Paixão de Cristo de Mel Gibson, mais segue o mesmo estilo (inclusive na questão violência), ainda que em uma tonalidade diferente. Ele se passa na América, alguns dias antes da chegada do espanhóis a região. Trata com uma certa "realidade" (realidade sobre o ponto de vista de alguns historiadores) o que se passava aqui quando os espanhóis chegaram (é aquela questão: como alguns homens com arma de fogo mataram milhões de usuários de espadas ? Ainda que fosse possível, faltaria munição - e não, isso não é o filme, o filme é apenas com os nativos, só estou situando o cenário). A história é mesmo aquela contada acima, mas aqueles não gostam de muita fantasia, podem ficar despreocupados. O filme termina e você diz a si mesmo: "isso poderia ter acontecido" (Ei, tem aspas ali, você viu, né ?). A realidade mata a fantasia, mas fantasia sobra nos dois outros filmes.

Desbravadores é um filme com um poster muito impressionante. Não se prende a uma América real, pelo contrário, deixa a imaginação fluir em uma hipótese velha da chegada do povo nórdico na América - mas tudo é completamente sem sentido - sob certo ponto, pelo menos. O retrato histórico aqui é apenas um efeito visual. Os acontecimentos são exagerados, extremos, bem ao estilo cinema pipoca. Não compromete muito - nem na narrativa - ainda que não seja algo que tenha o valido o ingresso de quem foi ao cinema ver o filme (e pensar que eu quase fiz isso !). Ainda assim, se gosta de ação com sangue e não quer prestar atenção em mais nada, esse é o seu filme. Ah ! Esse filme está cheio de "cenas comuns", ou seja, tem dezenas de situações que você já sabe o que vai acontecer porque já viu isso acontecer em vários outros filmes.

10.000 A.C. é uma adaptação de um quadrinho que eu nunca li. Então sobre isso, fico sem comentários. Como dito antes, o filme tem a mesma narrativa dos dois anteriores, um homem que quer salvar sua família. E sim, eu entendo que o conceito de família, nos três casos, seja o conceito de família tribal, ou seja, muito mais que uma ou duas pessoas, apesar destas serem sempre o foco. A história se passa na África e, como sugere o título, em um período muito mais antigo que os dois mencionados acima. Note que a África é mais rica em mitos conhecidos do que a América. É outro filme visualmente bonito, mas cansa. É o terceiro filme parecido em menos de 1 ano e meio (Apocalypto esteve no cinema no início de 2007). Ok, que tudo aqui é diferente. Os problemas, os ritos, etc e tal, mas quando se vê algo, se vê dentro de algo maior. Daqui alguns anos os detalhes sumirão da sua mente (na verdade são algumas horas). O que fica é o tronco da história, e isso não é nada.

Se estiver pensando em ver esses filmes, veja, mas não veja no mesmo dia. Você vai odiar o terceiro filme, não importa qual seja.
Se pensarmos em compra, eu sugiro apenas Apocalypto. Eu sempre penso naquele cenário onde você tem uma lista de desejos para comprar e não tenho dinheiro para tudo, logo nunca vai comprar tudo. Sendo assim, apenas Apocalypto vale o ponto de uma anotação. 10.000 A.C. também é bom, eu não comprarei, mas se tiver uma promoção assim, 3 por 10 reais é possível pensar no assunto (estou falando de DVD original de segunda mão vendido em locadora - a chamada revenda -, é melhor forma de economizar na compra de um DVD).

* O título do tópico é um trocadilho com título "Três solteirões e um bebê".

Sunday, June 08, 2008

Indiana Jones

É possível falar de Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal sem lembrar e/ou comparar com o que já foi feito nos filmes anteriores ?

Bom. O que é Indiana Jones ? Na definição de alguém que tinha 9 anos quando o terceiro filme foi lançado, é um filme de terror pouco intenso, ou seja, não é terror puro, mas é quase isso. Talvez, então, isso explique como a pouco tempo eu revi o primeiro filme da triologia e achei ele tão leve. Tão sem graça. Tão vazio. Já não me divertia tanto. O tempo anda e gosto mudar.

Na verdade eu nunca gostei do primeiro filme é o que tem menos aventura e o que termina de forma mais "sem noção".

Vem o segundo filme e eu me lembro de não gostado do excesso de "terror". Vem o terceiro e eu já gostei dele muito mais do que todos os outros (um contra-senso quando se refere séries) e o motivo era simples. Dos filmes, esse era o único que partia da premissa de que Dr. Jones não era idiota. Quero dizer, nos primeiros filmes os bandidos nunca teriam chego ao objeto de desejo se não tivessem tido ajuda do herói. É verdade que no terceiro filme isso também acontece, mas acontece porque ele quer salvar a vida do pai. Aliás, o filme mais humano. Ele chega ao ponto de não querer procurar o cálice.

Veio o quarto. Sim, o quarto.
Vamos ser sinceros. Sim. Eu gosto da série, então qualquer coisa que lembrasse ela seria um bom filme. E esse é um filme divertido, mas está longe de ter o mesmo efeito fantástico que tinha quando o título foi lançado a tempos atrás.

O filme começa bem. Faz referências diretas ao primeiro filme da série (logo no começo). Depois, cai no ponto de lembrar que na época existia a "caça aos comunistas" nos EUA e rapidamente abandona todo esse cenário por outro, sem voltar atrás de forma consistente ou sem dar muitas explicações. Fica a primeira pergunta: porque lembrar da "caça aos comunistas" se não pretendia dar um fechamento digno a essa questão ? Só por causa dos inimigos ? Fraco. Aceitável, mas muito fraco. Nota em relação a primeira parte: não se faz mais geladeiras hoje como antigamente.

Passada a primeira parte. Vamos a segunda. Quem era mesmo aquele cara que se autodenomina "Mutt" ?
Visão triste aquela. O Indiana merecia um "parceiro" melhor, tanto em personagem quanto como ator (mais ator seria suficiente para ser mais aceitável como personagem). Você consegue aceitar Indiana Jones tanto quanto consegue aceitar uma Lara Croft, mas não conseguiremos aceitar um arqueólogo que veste jaqueta de couro e usa gel no cabelo. Esses personagens de arqueólogos não se encaixam bem (cinematograficamente) a década de 60 e 70. Perde o charme de uma sociedade que não tinhas as tecnologias de hoje, nem era tão artesanal quanto da época pré-guerra.

Do mais o filme é um pulo para cá, um pulo pra lá. A motivação é a mesma do filme anterior, "salvar alguém". Alguns erros perceptíveis (grosseiros mesmo) de direção que me fizeram questionar se era mesmo o Steven Spielberg que dirigiu o filme. É a pior direção dele, sem dúvida alguma. Para quem dirigia, o trabalho foi fraco.

A história não tem nada a acrescentar, nada mesmo. É só uma história. Com começo, meio e fim. As cenas de ação são boas, mas não são as melhores da série, nem as melhores do cinema. O final é o esperado. E todo o arremate intelectual da questão fica por conta do espectador, que é levado diretamente aos finalmente sem muitas explicações. Isso eu não gostei. Fica devendo alguma explicação de como tudo foi esquecido dentro da situação política que ele se encontrava.

Eu li em algum lugar que Harrison Ford disse que foi só colocar o chapéu para retornar ao personagem. Foi mesmo. Certamente o ponto forte do filme é a forma como ele retoma o mesmo personagem no exato ponto onde ele parou, simplesmente perfeito.

Se a mitologia fosse começar nesse filme, terminaria nele, mas é um filme visível. Fica faltando alguma coisa. É só algo a mais que falta. Algo que a mágica do tempo dissipou completamente. De qualquer forma, se gosta da temática, é impossível não assistir ao filme.

PS.: Dessa vez tinha outras 3 pessoas na sala de projeção...

Saturday, May 03, 2008

Homem de Ferro

Pois bem, vamos a história. Ontem, sexta, eu fui fazer um exame muito chato, muito mesmo, em um shopping "perto" de casa, passei os dois dias anteriores tomando remédios que me deixaram meio "fora do ar", cheio de dor de barriga e completamente indisposto. Além do fato de que eu estava em jejum e eram 2 da tarde quando fui fazer o exame. Quando eu vou sair (pra mais de 3 da tarde), a responsável me informa que o resultado saía em 3 horas. Fiquei surpreso. Como eu realmente queria saber o resultado logo, fui até a praça de alimentação do shopping (que tinha têm meia dúzia de lojas abertas, incluindo a praça de alimentação) e almocei. Levei 30 minutos para almoçar e descobrir que tinham exatas 42 pessoas no shopping inteiro, incluindo funcionários.

Quando eu olho, o que tinha. Homem de Ferro. Sim, esse shopping tem cinema, três salas. Como eu ia esperar, digamos, 2 horas ainda (tempo de um filme). Fui ver o filme. E é nessas circunstâncias que saem as minhas impressões.

Antes de ir ao filme, quero informar que desde que houve a Guerra Civil eu estou torcendo para quebrarem esse infeliz do Homem de Ferro em transformarem em ferrugem de uma vez por todas...

Pois bem, vamos ao filme...
Saibam que outrora eu gostei do personagem por que ele não era apenas um herói de roupa coloria, mas porque ele venceu o alcoolismo. Sim, Tony Stark é alcoólatra. O drama do alcoolismo foi explorado várias vezes, em especial, contra o "Monge de Ferro" (o inimigo principal do filme). Nesse filme, o copo aparece poucas vezes e o drama é apenas mencionado. A despeito disso a escolha do inimigo foi boa. Isso foi uma boa lição aprendida com Batman Begins. A utilização de um inimigo forte, mas não do inimigo principal (o principal inimigo do Homem de Ferro é o Mandarim) é algo muito proveitoso quando o filme ainda tem que tratar da origem do personagem e abre inúmeras possibilidade para o segundo filme.

A história. É um filme comercial, certo ? Ninguém aqui está tentando julgar se ele tinha conteúdo. É uma história divertida, com ótimos diálogos, mas eu esperava mais cenas de ação. O filme é um conto em três atos triviais (o início, meio e fim). No início, é bem, o início. O meio é o desenvolvimento da armadura. E o fim, a luta final. O mais longo é sempre o meio, mas foi frustrante. O filme tem 1 + 3 cenas de ação com o Homem de Ferro. Uma com a primeira armadura e outras 3 com a armadura "final". É divertido ver o desenvolvimento ? Sim. Mas não tanto quanto poderia ser se tivesse mais ação. Aliás, a luta final também não é lá essas coisas. Não é ruim, mas poderia ter sido muito melhor.

Efeitos especiais. Eu já disse isso uma vez (não me lembro onde), mas repito aqui. Em 2008, efeito especial não é diferencial, é obrigação. E ele faz bem a obrigação dele. Mas vou ficar decepcionado se ele vier a ganhar o Oscar de efeitos especiais (para dizer a verdade eu vou me surpreender se ele vier a ser indicado), significaria que não teremos nada melhor até 2009, o que seria muito, muito decepcionante.

A engenharia mecânica. Eu fiquei até o fim do créditos, li toda aquela porcaria e encontrei uma equipe de engenharia mecânica. Só posso supor que eles foram os responsáveis pelo excelente trabalho no movimento das máquinas.

Se eu tivesse que julgar o filme de 0 a 10 até aqui, eu ficaria com 8. Sério: 8.
Mas vou viu que eu fiquei até o fim dos créditos ? Pois é, FIQUE ATÉ O FIM DOS CRÉDITOS. Faz esse 8 virar 9,5.

Como adaptação dos quadrinhos o filme foi perfeito. Conseguiu sintetizar bem o passado e construir um personagem que vaga entre o clássico, a linha milênio e seu próprio estilo (que é necessário para construir uma imagem em movimento). Se eu gostei de um filme com o meu personagem mais odiado em meio a dores de cabeça e barriga - e ainda na expectativa de receber o resultado de um exame - deve ser mesmo um bom filme do gênero herói.

Eu já ia esquecendo de mencionar. Eu disse que tinha 42 pessoas no shopping, certo ? Sabe quantas viram o filme além de mim ? Duas, e elas estavam na sala do projetor... Sim, senhores. Eu fiquei sozinho na sala de cinema feita para 208 pessoas. Fui o único a assistir o filme além dos funcionários.

Thursday, January 10, 2008

Planeta dos Macacos

Sabe aquele filme antigo que você jura que vai ver milhares de vezes e nunca tem tempo de fazer isso ? Muito por serem 5 filmes e não um o Planeta dos Macacos estava no topo da milha lista de filmes não vistos que eu deveria ter visto.

Os filmes são do final da década de 60, início da década de 70. Eu não vou contar sobre o filme em si. Para isso existe a internet, né ? Vai a lista, em ordem, com links para suas respectivas páginas na wikipédia em português.
Eu recomendo que leiam pelo menos a página referente ao primeiro filme. Primeiro para verificar as diferenças, que não são poucas, entre o filme e o livro de Pierre Boulle no qual a obra foi baseada. As diferenças estão baseadas em questões culturais da época (não dava para deixar os humanos nus no filme, pelo menos não nesse tipo de filme), por limitações orçamentárias, e porque não dizer, de efeitos especiais. Esses três motivos são plenamente justificáveis. Há mais duas diferenças, uma que está diretamente relacionada com a antológica cena final do primeiro filme. Que é realmente fantástica. Eu posso imaginar a reação das pessoas ao ver tal cena no cinema pela primeira vez. O filme seria metade do que é sem ela. E sem ela os outros filmes não teriam existido...

Entenda, o primeiro filme foi exibido em 1968. O segundo somente em 70. Talvez ele nem tivesse sido feito se o primeiro filme não tivesse repercutido da forma que repercutiu. E o que o primeiro filme tinha que fez ele repercutir tanto até os dias de hoje ? Sua cena final. Mas seria impossível existir a cena final se o filme não fosse diferente do livro. Essa é a questão mais interessante. Trata-se de uma das poucas modificações feitas para cinema que obteve melhor sucesso de crítica do que o seu original, no livro.

Termina o primeiro filme e você vai ver o segundo, o segundo termina, e você fica com a sensação de que não devia ter visto esse filme. Mas tudo bem, tem o terceiro. O terceiro tem algumas cenas interessantes, mas é previsível demais. Seu maior mérito é explicar (ou melhor, tentar explicar) a viagem no tempo.

Aqui eu abro um parênteses para falar da viagens no tempo.

Alguém já leu "A Máquina do Tempo" de H. G. Wells ? Ou pelo menos já viu um dos dois filmes de mesmo nome (um desses filmes é de 1960) ? A Máquina do Tempo de H. G. Wells é tido como a primeira obra de ficção a abordar a viagem no tempo. Acompanhe o conceito nesse exemplo: Imagina que alguém quebra um vaso na sua casa. Aí você viaja no tempo para impedir que isso aconteça, impede. Se o vaso não quebrou, você não precisou de viajar no tempo, se não viajou no tempo como você poderia impedir o vaso de quebrar ? Resposta, não podia, então o vaso quebrou de qualquer jeito. Paradoxo da viagem no tempo é que você não pode alterar o passado que você conhece, apenas fazer parte dele.

A segunda linha de raciocínio é mais popular por causa da triologia "De Volta para o Futuro". O tempo é formado por diversas linhas, ao viajar no tempo para o passado e alterar alguma coisa, ao viajar de volta para o futuro você entra em outra linha de tempo, ou seja, você viaja para o seu passado, mas por ter alterado ele só pode voltar para um outro futuro, não para o seu próprio (de onde você partiu).

Voltando ao Planeta dos Macacos, você precisa ir até o final do quinto filme para realmente entender que tipo de teoria é utilizada no filme. Lembre-se apenas H. G. Wells era conhecido até então. Desde do primeiro momento eles dão a entender que é um tipo de teoria similar a da triologia "De Volta para o Futuro" (lembrando que essa triologia é bem mais nova que o Planeta dos Macacos, estou usando ela apenas por ter certeza de que todo mundo lembra, mas eu não ficaria impressionado se alguém me disser que a teoria foi criada aqui e copiada em "De Volta para o Futuro"). Mas você vê o terceiro e o quarto filme e não consegue dizer se eles estão realmente de acordo com essa tal teoria de múltiplas linhas temporais. Apenas no quinto filme você consegue entender o que aconteceu.

Aliás, isso diz algo muito importante, se você decidiu ver o terceiro filme, você será obrigado a ver o quarto e o quinto. Sem alternativas para quem quiser entender o que está acontecendo. Algumas perguntas ficam realmente no ar, tipo: se todo mundo sabia que mais cedo ou mais tarde os macacos dominariam o mundo, porque adotaram eles como animais de estimação ? Excesso de confiança ? Para mim é excesso de idiotice, mas tudo bem. Eu aceito. E como foi que todos os macacos aprenderam a falar tão rápido ? Melhor ainda, como aquele velho sábio do quinto filme pode dizer que quando criança o outro velho sábio foi seu professor ? A escala temporal do quarto para o quinto filme é muito, mas muito mal resolvida. Tire como parâmetro a idade dos humanos que fizeram parte do quarto filme e estão no quinto. Em um bom português é impossível que um sociedade saia da idade da pedra a teorias da relatividades em mais ou menos 15 anos.

Dos três filmes, dois diálogos/discursos são realmente impactantes. O primeiro está no final do quarto filme. "Na noite de fogueira" o discurso (quase diálogo) de César é realmente impressionante. A segunda fala eu vejo de forma ainda mais impressionante. Está no final do quinto filme (ainda antes de se esclarecer tudo). É uma fala, uma frase, dita pelo personagem humano principal enquanto ele ainda está preso. Colocada aqui não diria muita coisa, mas se vir o filme um dia, não deixe de perceber bem esse momento. Ele diz tudo.

Do modo geral minha avaliação é positiva, mas o excesso de filmes se destaca logo no começo. Não precisava de 5 filmes para contar a história. Certo que eram outros tempos e filmes de 3 horas não eram comuns. Hoje eu condensaria a história toda em 2 ou 3 filmes facilmente. De qualquer forma, em qualquer filme, vale apena observar a forte crítica feita aos humanos o tempo todo. E o tempo todo eles estão certos. Claro que generalizar o indivíduo não é correto, mas como um estudo de sociedades é impecável. A simples leitura das conclusões da comissão do terceiro filme diz tudo. Também é bom lembrar que a época era o auge da Guerra Fria, mas francamente não vejo muitas mudanças de lá pra cá (pelo menos não quando pensando no filme).

E quanto a refilmagem ? Em uma palavra: esqueça. Para quem só quer ver efeitos especiais impressionantes (exemplo, macacos que são "macacos" e não homens fantasiados de macacos) o filme de 2001 é isso, novos efeitos especiais. A história também foi modificada, mas modificaram também o melhor do primeiro filme (a cena final) e não deu certo. E francamente, os diálogos foram muito mais densos/ricos/fortes/melhores na primeira versão. O filme de 2001 é só visual e a julgar pela ausência de continuidade até hoje, posso pensar que não haverá seqüências.

Tuesday, January 08, 2008

Incorporando o Cine Blog neste blog

Pouca gente sabe, pouca gente percebeu. Afinal, eu não divulguei nem nada. Mas eu tinha um blog onde eu dedicava a tratar assuntos relativos a filmes com um foco ainda maior em DVDs. Apesar de que foco é uma coisa meio sem sentido. Como falar de foco em um blog que não recebeu nenhum único post em mais de 6 meses ?

Pois bem, por esse motivo eu estou incorporando a temática nesse blog. Não que seja uma mudança muito grande quando pensa em cinema aqui, mas pense ao contrário, pense os tópicos daqui indo para lá e verá que eu também estou pensando em quem quer continuar a ler apenas sobre filmes, dvds, etc.

Quem não tiver nenhuma paciência para esse assunto ou para quem só quer ele, eu adicionei na barra ao lado as principais categorias deste blog e em cada categoria seu respectivo RSS, inclusive cinema. Fique a vontade para escolher o que quer ler e o que não quer ler. É para isso que as categorias existem.

Os tópicos que foram publicados lá, continuarão lá. O blog tinha mais de um ano de vida e teve apenas 17 tópicos e provavelmente só esses dois acima merecem o destaque para a posteridade.
Eu não vou ensinar a usar o sistema de categorias, afinal creio que esteja intuitivo, e se não estiver me avise porque era para estar.