Depois do meu último tópico, fiquei com aquela sensação de quem está deixando o tempo passar demais para começar a modificar os meus arquivos de configuração do Arch Linux.
Enfim, resolvi fazer isso apenas para poder enfrentar melhor as atualizações que estão vindo aí.
O grande desafio é não usar mais o /etc/rc.conf como forma centralizada de gerenciamento de tudo.
Assim, todas as seções foram migradas. Algumas coisas que eu vou escrever abaixo só são válidas porque eu tenho uma instalação antiga e nunca fiz nenhuma atualização de arquivos de configuração até a data de hoje (exceto o pacman, que me obrigou em sua última grande modificação para inclusão das chaves de autenticação ! Mas isso não está em foco aqui !)
/etc/vconsole.conf
Nsse arquivo ficou com as configurações de fontes para o terminal. Mas até onde eu sei, falo aqui da tela preta, aquela que quase nenhum novato já viu e que pode ser acessada por um "ctrl+alt+F1" (no Arch Linux "ctrl+alt+F7" para retornar. Na maioria das outras distribuições use "ctrl+alt+F8". Se der problemas teste todos as teclas funcionais, de F1 até F12. Em algum lugar está !)
No meu caso esse arquivo tem apenas duas linhas. Uma definindo o teclado e a outra habilitando as cores.
KEYMAP="br-abnt2"
USECOLOR="yes"
/etc/hostname
Ao contrário de todas as outras distribuições, no Arch Linux esse arquivo não existia até eu ter criado ele.
Ele tem apenas um nome. O nome da minha máquina.
Depois disso é conveniente e sábio modificar o /etc/hosts também. Mas isso eu já tinha feito por outros motivos (há certos aplicativos que necessitam a configuração do /etc/hosts apresente nome de domínio no 127.0.0.1)
/etc/adjtime
Simplesmente é a configuração que me deu mais trabalho.
O que eu faço é usar o comando hwclock para acertar o horário da bios manualmente e depois atualizo o horário da máquina usando o mesmo comando com a opção --hctosys.
hwclock --set --date="YYYY-MM-DD hh:mm:ss"
hwclock --hctosys
Ao contrário de todas as recomendações eu uso a opção localtime e não utc nas minhas configurações, assim, para escrever o horário em /etc/adjtime eu uso
hwclock -w --localtime
E por que eu faço isso contra todas as recomendações ? Porque eu não quis acessar a BIOS e dizer a ela que o horário que ela está mostrando é utc. Com sobreposições de informações, o meu relógio na barra de tarefas me mostra -6 horas em relação ao UTC e isso, claro, não é legal. Não seria fácil seria modificar a tal opção da BIOS e deixar tudo como é recomendado ? Sim, seria. Quando se tem um teclado que funciona direito. O meu teclado, não me pergunte o porquê, funciona apenas depois que o sistema operacional carrega. Pelo tempo de uso desse teclado, vale mais apena comprar outro do que resolver problemas. Pois é... estou a mais de um ano para fazer isso. Enquanto ele não quebra de vez ou sei-lá-o-que acontece eu não vou me mexer para gastar essa grana (comprando um teclado bom !).
O trabalho que me deu foi justamente como fazer o horário funcionar adequadamente considerando os defeitos físicos. Trabalho esse que não existia antes porque eu já tinha a configuração ajustada quando eu tinha acesso a BIOS... enfim.
[updade] Note que isso é uma hipótese de problema. Talvez o problema seja alguma outra coisa. Fato é que configurar hora é para ser uma das atividades mais simples do sistema. Portanto, o problema que há, seja qual for, é meu e não do OS. [updade]
Ah ! Eu uso o time.is para verificar o horário exato.
Configurando dessa forma eu não consigo precisão absoluta, estou 3,6 segundos atrasados.
Para resolver esse "problema" você pode se dedicar a aprender a instalar e configuração de um cliente NTP. Qualquer dia eu faço isso...
/etc/localtime
Apesar de até hoje ele não ser obrigatório, era um arquivo que já estava em uso. O motivo é que ele é um link simbólico (no meu caso, pelo menos, não quis duplicar o arquivo) para o /usr/share/zoneinfo/America/Sao_Paulo que é onde eu digo para o sistema onde eu estou.
Essa configuração já estava feita porquê eu, assim como muitos brasileiros, temos horário de verão e todos devem saber o quanto esse arquivo nos ajuda ...
Configuração dos módulos
Particularmente, antigamente eu bloqueava uma das minhas placas de rede (eu tenho duas) então eu tinha um seção no rc.conf no array de módulos que bloqueava o "via_rhine".
Desfiz isso, mas a utilização do /etc/modprobe/modproble.conf e do /etc/modulos-load.d/ é bem simples. Não precisei, mas não vejo grande problemas hoje.
Ah ! Hoje, o carregamento automático de módulos está mais fluido do que quando eu instalei o Arch Linux e, por exemplo, era obrigado carregar os módulos de VirtualBox manualmente ou via arquivos de configuração no boot para usar o programa. Hoje isso não é mais necessário. ;)
Configuração de rede
A segunda mais antiga modificação do arquivo /etc/rc.conf desde que eu passei a usar o Arch Linux e que mais gerou arquivos de alerta pela minha máquina.
Vou ser franco, gosto muito do modo antigo de fazer as coisas, mas a evolução veio e eu acabei modificando também a configuração de rede hoje instalando e configurando o netcfg e, para fazer um bom gerenciamento das coisas, também instalei o ifplugd. A configuração é bem simples também, está na internet.
Eu não gosto muito dessa modificação, por isso não mudei antes. A antiga era muito mais simples e eu não precisava de dois programas adicionais. Ok. Agora é melhor, mas antes também funcionava.
Conclusão
Demorei 3 vezes mais tempo para escrever esse artigo do que para fazer as modificações. O comandos "man archlinux" e "man rc.conf", bem como a internet (os links que eu usei estão nos respectivos tópicos) podem ser úteis para sanar outras dúvidas.
O futuro promete liquidar a última e única linha que há no meu /etc/rc.conf, o DAEMONS. Pelo que li (não me lembro mais onde) as novas instalações já vão usar o systemd.
O ponto positivo é que eu não tenho mais nenhuma mensagem durante o boot escrita em letras vermelhas me alertando sobre as recomendações de atualização do arquivo de configuração. :D
Showing posts with label sysadmin. Show all posts
Showing posts with label sysadmin. Show all posts
Sunday, October 14, 2012
Thursday, October 11, 2012
O verdadeiro problema de usar o ArchLinux
Hoje eu descobri o meu maior problema de usar o ArchLinux desde o instalei em 2009, há mais de três anos atrás.
E o "problema" (note as aspas) é que eu não tenho mais problemas... Sim, o sistema é tão estável, mas tão estável, que eu fui esquecendo como resolver problemas, onde estão aqueles arquivos de configuração. Como é ter que ficar horas e horas na internet procurando soluções para aqueles bugs incômodos. É impressionante.
Sim, eu já tive problemas com o ArchLinux. Nesses três anos, foram 2 problemas. Um deles, não era problema, mas uma mudança da característica do cryptsetup que não aceitava mais funcionar via sudo. Tem algumas ações de usuário a serem feitas aqui que resolvem isso facilmente, mas não havia mais necessidade, o programa evoluiu o problemas eram os meus scripts que não evoluíram junto. O outro problema era porque eu tenho muitos programas instalados e recentemente quando houve a mudança das bibliotecas de /lib para /usr/lib eu tive que identificar certos programas instalados (todos do aur) para conseguir migrar o diretório sem problemas. Como pode ver, nenhum desses dois problemas foram problemas de verdade.
Brincadeiras e ironias a parte, a minha maior dificuldade com o ArchLinux está em fazer programas que possuem código com um desenvolvimento muito lento compilarem nas versões mais recentes do GCC. Quase sempre eu tenho que modificar alguma coisa nas opções do Makefile, ou modificar alguma declaração de variável que não fazia sentido antes, mas o GCC não reclamava. Lembro-me até de ter achado um erro de declaração de variáveis em um programa escrito por mim mesmo quando mudei a versão do GCC. Mas se isso é um problema, que venham muito problemas como esse, que ajudam a desenvolver códigos melhor escritos e mais estáveis.
É a evolução e o ArchLinux não costuma esperar por aqueles programas que não querem evoluir na mesma velocidade. Tudo que ele faz é seguir sua própria evolução mas sem abrir mão da estabilidade que me permite dizer o que digo acima. Fui esquecendo de como fazer certas coisas porque não tive que ficar o tempo todo resolvendo problemas e me obrigando a relembrar onde e quais são os arquivos de configuração para isso ou aquilo.
Eu posso dar um exemplo bem simples para isso. Desde de que instalei o ArchLinux eu nunca mais, mas nunca mais mesmo tive qualquer problema com a configuração da minha placa de vídeo, ou seja, eu uso os mesmos arquivos que criei em 2009 quando instalei o sistema e fiz questão de usar o xorg.conf e hoje eu nem sei se eu precisaria de usar o xorg.conf. Estou quase certo que não preciso ! Mas o que quero dizer é que eu não sei como resolver problemas de configuração nas novas versões do servidor gráfico. Eu também não tive mais problemas com teclado, configuração do sistema de som, rede ou qualquer outra coisa do gênero. Tudo ainda roda usando os mesmo scripts de configuração que tenho desde de 2009 e apesar das profundas modificações que o ArchLinux vem implementando recentemente na sua estrutura de arquivos de configuração (especialmente a já não tão recente modificação da configuração de rede), eu não tive problemas...
Sim, meus caros, esse texto está carregado de ironias, mas é com grande satisfação que acordei para essa constatação na data de hoje e quis dividir essa minha alegria e as observações que fiz com todos. É muito bom usar um sistema hiper-atual, com mais recentes versões de programas estáveis possíveis e ainda ter tal estabilidade, com um gasto quase nulo de tempo sendo usado no gerenciamento de crises.
Meus parabéns a todos que fazem essa distribuição ser o que é e me permitem usar o computador como eu gostaria de usar. Obrigado.
PS.: tanto tempo sem escrever me enferrujou um pouco. Já corrigi um monte de problemas no texto desde que publiquei. Se encontrarem algum absurdo como "problema instalado" escrito no texto (coisa que já corrigi), favor, me avise :D
E o "problema" (note as aspas) é que eu não tenho mais problemas... Sim, o sistema é tão estável, mas tão estável, que eu fui esquecendo como resolver problemas, onde estão aqueles arquivos de configuração. Como é ter que ficar horas e horas na internet procurando soluções para aqueles bugs incômodos. É impressionante.
Sim, eu já tive problemas com o ArchLinux. Nesses três anos, foram 2 problemas. Um deles, não era problema, mas uma mudança da característica do cryptsetup que não aceitava mais funcionar via sudo. Tem algumas ações de usuário a serem feitas aqui que resolvem isso facilmente, mas não havia mais necessidade, o programa evoluiu o problemas eram os meus scripts que não evoluíram junto. O outro problema era porque eu tenho muitos programas instalados e recentemente quando houve a mudança das bibliotecas de /lib para /usr/lib eu tive que identificar certos programas instalados (todos do aur) para conseguir migrar o diretório sem problemas. Como pode ver, nenhum desses dois problemas foram problemas de verdade.
Brincadeiras e ironias a parte, a minha maior dificuldade com o ArchLinux está em fazer programas que possuem código com um desenvolvimento muito lento compilarem nas versões mais recentes do GCC. Quase sempre eu tenho que modificar alguma coisa nas opções do Makefile, ou modificar alguma declaração de variável que não fazia sentido antes, mas o GCC não reclamava. Lembro-me até de ter achado um erro de declaração de variáveis em um programa escrito por mim mesmo quando mudei a versão do GCC. Mas se isso é um problema, que venham muito problemas como esse, que ajudam a desenvolver códigos melhor escritos e mais estáveis.
É a evolução e o ArchLinux não costuma esperar por aqueles programas que não querem evoluir na mesma velocidade. Tudo que ele faz é seguir sua própria evolução mas sem abrir mão da estabilidade que me permite dizer o que digo acima. Fui esquecendo de como fazer certas coisas porque não tive que ficar o tempo todo resolvendo problemas e me obrigando a relembrar onde e quais são os arquivos de configuração para isso ou aquilo.
Eu posso dar um exemplo bem simples para isso. Desde de que instalei o ArchLinux eu nunca mais, mas nunca mais mesmo tive qualquer problema com a configuração da minha placa de vídeo, ou seja, eu uso os mesmos arquivos que criei em 2009 quando instalei o sistema e fiz questão de usar o xorg.conf e hoje eu nem sei se eu precisaria de usar o xorg.conf. Estou quase certo que não preciso ! Mas o que quero dizer é que eu não sei como resolver problemas de configuração nas novas versões do servidor gráfico. Eu também não tive mais problemas com teclado, configuração do sistema de som, rede ou qualquer outra coisa do gênero. Tudo ainda roda usando os mesmo scripts de configuração que tenho desde de 2009 e apesar das profundas modificações que o ArchLinux vem implementando recentemente na sua estrutura de arquivos de configuração (especialmente a já não tão recente modificação da configuração de rede), eu não tive problemas...
Sim, meus caros, esse texto está carregado de ironias, mas é com grande satisfação que acordei para essa constatação na data de hoje e quis dividir essa minha alegria e as observações que fiz com todos. É muito bom usar um sistema hiper-atual, com mais recentes versões de programas estáveis possíveis e ainda ter tal estabilidade, com um gasto quase nulo de tempo sendo usado no gerenciamento de crises.
Meus parabéns a todos que fazem essa distribuição ser o que é e me permitem usar o computador como eu gostaria de usar. Obrigado.
PS.: tanto tempo sem escrever me enferrujou um pouco. Já corrigi um monte de problemas no texto desde que publiquei. Se encontrarem algum absurdo como "problema instalado" escrito no texto (coisa que já corrigi), favor, me avise :D
Subscribe to:
Comments (Atom)